LIVRE E INSPIRADORA

Para ler ouvindo – Dizeres

A vi numa praça com um caderno em cima das pernas cruzadas, caneta preta em punho, cabelo num coque já bagunçado pelo vento que soprava e a deixava ainda mais radiante. Eu estava sentada na grama de frente para ela. Meus óculos escuros enganavam a direção para onde eu olhava para que ela não se assustasse. Era tão gostoso passar aqueles minutos observando o horizonte que me presenteava não só com a imensidão do céu que amo, mas também com aquela pequena, livre e inspiradora mulher.

“Nunca fui boa com conselhos, eu acho. Já dei muitos, mas quando a gente não sabe o que está passando no coração do outro, conselhos podem acabar piorando o que já não estava bom. Contudo, começo esse devaneio assim porque por muito tempo não segui o que dizia para os meus amigos colocarem em prática. E a vida em sua sabedoria tem me ensinado que preciso estar mais atenta ao que acontece ao meu redor. Fui convidada a despertar, para poder cuidar melhor de tudo o que é meu, do que é interno…

Ela está ali, de frente pra mim, sentada num tipo de canga. Os cabelos soltos ao vento e de óculos de sol, não tenho certeza, mas parece que ela está concentrada em me desvendar, sinto isso enquanto escrevo disfarçando a timidez. Os pés tocam a grama numa forma de se conectar com a natureza. No braço, que está de fora por conta da regata, vejo uma tatuagem e o astigmatismo não me permite decifrar o desenho. Ela tem no movimento do corpo convite para querer conhecê-la, é tão convidativa que me perdi do que escrevia…”

Ela parou de escrever… está de pé e olhando na minha direção. A.Í, M.E.U D.E.U.S!

– Oi, meu nome é Luz, estava escrevendo até não conseguir mais parar de observar você…

– Oi, Luz, meu nome é Flor, estava te admirando até perder o ar vendo você chegar…

Ela é uma mulher delicada quando se olha apenas com a lente da superficialidade. Quando parei para olhar o que tem dentro dela vi a outra face da moeda, me surpreendi, me orgulhei. Há tanta força pulsando naquele corpo franzino, naqueles trejeitos tão doces que fica difícil enxergar o lado amazona dela. É isso, mulher maravilha é o que ela é.

Sorrimos, comemos churros e falamos sobre conselhos, intuições e mais um montão de coisas. Nos conhecemos um pouco e depois cada uma seguiu sua estrada, sem nos esquecermos uma da outra.

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