A ÓRBITA

Sentado nas escadas da escola, João pensava nas coisas que vinham acontecendo em sua vida. No que julgou necessário em cada instante. Nas pessoas que simplesmente passaram, nas que se eternizaram. Naqueles que o fazem pensar em coisas diferentes. Nos que o colocam pra cima. Os que deixaram saudade, mas também em quem é só para mesa de um bar.

Pensava nos mestres, na experiência que passam. Na maneira como instigam o lado curioso, mas que mesmo assim, há momentos em que falta vontade de estar presente naquele lugar. Mesmo entendendo que tem circunstâncias que não dá para deixar para depois.

Ele pensava em como poderia agir, ou reagir a certos sentimentos. E tinha plena consciência de que nada acaba de um dia pro outro, as coisas não somem. É um tempo de respiração, de aprender a voar, para se preparar para a chegada de algo melhor, ou de algo que seja importante no agora.

A liberdade de aprender a voar com os tombos que estão por vir, com os galhos que podem machucar. O respeito com as cicatrizes que tanto falam sobre ele.

Teletransportou-se para sala de aula. Mesmo sem míseros sinais de que adiantaria alguma coisa ficar na aula, permaneceu intato, sem ser notado. Ou ao menos era o que ele imaginava.

Porque no fundo da sala, havia alguém que o observava incessantemente. Guardando cada pequeno gesto.

Tão cego envolvido a sua órbita egoísta, não notava ninguém. A não ser a ponta do seu nariz, onde havia um mosquito danado a lhe perturbar.

(19/08/2011)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: