A LUTA DIÁRIA POR RESPEITO

Ei, você, me dê um minutinho de sua atenção? Vai ser rápido, e objetivo.

Quando tinha por volta de 13 anos, fui para São Paulo com a minha avó. Fiquei super encantada com o tamanho da cidade, que quanto mais eu crescia, mais ela parecia crescer também. Com uma câmera não mão, tirei foto do trem no metrô, e fiz daquele momento recordação. Contudo, a magia foi cortada quando a cena de um homem com seu pinto duro mudou tudo, pois, ele daquele jeito, arrumou uma forma de se aproximar e encostar em mim. Eram 7:00 da manhã, SETE HORAS DA MANHÃ. Fiquei me perguntando se de cara amassada, cheia de malas, e ainda novinha, dei algum motivo para que ele fizesse aquilo.

Aos 19 anos, passei a chegar em casa todos os dias, cerca de 30 minutos, mais tarde. Sabe por quê? O motorista que dirigia a linha que eu costumava ir, me perguntou um dia se eu não gostaria de viajar com ele e a esposa em seu carro novo. Naquele horário que, eu que já não uso maquiagem diariamente (caso este seja um motivo pra assédio), já estava acabada, cansada e louca pra chegar em casa.

Em seguida deste episódio, um senhor, de uns 60 anos, à época, às 7:30 da manhã, me parou um quarteirão antes de chegar ao escritório, e me perguntou que dia eu iria beijá-lo. SETE E MEIA DA MANHÃ, eu tinha acabado de descer do ônibus, estava correndo para não me atrasar pra reunião matinal e pá, um babaca se sentiu no direito de acabar com meu dia.

Estes, são três fatos que aconteceram comigo. Sem que eu “DESSE” motivos. Ou “USASSE ROUPA QUE INSTIGA O CÉREBRO MASCULINO”. Em um deles, inclusive, eu não era mais criança há um ano, né?

Então, por favor, parem com esse discurso de que são as roupas, que é nosso comportamento. O problema está no HOMEM QUE SE SENTE NO DIREITO DE AGIR ASSIM e ponto final.

E faz o seguinte: se a mulher tiver interessada, ela vai dizer, ela vai demonstrar.  E antes de ir encostando, tocando, PERGUNTE SE ELA QUER. E se ela disse não: É NÃO!

Esses acontecimentos quebram a gente ao meio. Nos mudam de meninas para mulheres. E mulheres que têm que lutar para conseguir o mínimo de respeito do sexo oposto. Ficam sequelas, que muitas vezes, levam muito tempo para se curar, noutras, não se curam.

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