DEIXA FLUIR, DEIXA PASSAR

Em dueto: Laura Aquino e Mafê Probst.

Estava revirando memórias e gavetas antigas. Aquelas que a gente deixa acumular poeira por preguiça de limpar. Ou seria medo? Sei lá. Sentei no chão da sala, com todas as lembranças de infância, com todas as fotografias, ex-amigos, ex-amores, ex-paixonites agudas. Assoprei a poeira e sorri. Era estranho ver o tanto que tudo e todos tinham mudado e, sobretudo, era ainda mais estranho perceber que nada daquilo fazia cosquinha no coração, nada daquilo trazia sentimentos ruins que já me devastaram um pouco. Ou um tanto. Não me lembro ao certo.

Me apeguei as sensações que me fizeram avançar, num ritmo meio louco de uma evolução que me fez não mais olhar para trás. E quando me pego tentando olhar percebo quase tudo embaçado… Talvez seja o astigmatismo. No entanto, não me cobro mais, não mesmo! É que todo esse tanto do que ficou, ficou – e fiz questão de entender seu lugar e hora, em seguida fui me adaptar. É que tenho isso, sabe? De me adaptar, não sem dor ou pesar, às situações que não posso mudar. É mais gostoso deixar para trás o que já não quer “estar”, o que na física ou química ou tempo (sei lá), fez com que virasse “foi”. Gratidão vida, por me permitir sempre ir adiante.

O tempo não para, sabe? E tem duas formas de tocar a vida com tudo isso que fica: ou lamentar por deixar de ter sido, ou entender que tudo foi o tempo que deveria ser, que tudo durou enquanto fazia algum sentido. De verdade, acredito que amadureci tanto que o que ficou para trás sequer se encaixaria nessa vida bonita que tenho aqui na frente, e tenho convicção plena de que a vida só é bonita como é porque me permiti viver o que vivi, e me permiti abrir mão quando não mais somava, não evoluía, sei lá.

Tenho em mente que vou direto ao ponto, que a vida anda é para frente. O que acabou, acabou e ponto. Porque tudo tem um prazo e uma validade, e entender isso me deixou em paz comigo e com o mundo. Adeus faz tão parte do dia a dia quanto dizer olá. Capítulos de livros, filmes e séries, encerram-se todos os dias – e a vida real também é assim. Afinal, a arte é que imita a vida, não acha?

Busco minha humanidade para desvencilhar-me da cobrança da perfeição, ou seria da chatice da perfeição? Parei de tentar agradar o tempo inteiro, parei de tentar catalogar as pessoas e segurá-las por perto. Parei de tentar entender, porque nem tudo precisa fazer sentido, como essas memórias antigas que guardo em gavetas puídas. Enquanto é, a gente entende. E quando deixa de ser não tem porquê buscar sentido, não há motivos para buscar respostas. Deixa fluir, deixa passar…

Deixei.

 

 

Laura Aquino

Insta: @lauraaquinoa

Mafê Probst

Insta: @mafeprobst

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