PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS MINHAS DORES

Angústia, medo e cansaço. Sobretudo o medo que traz estes outros sentimentos. A boca fechou, não há palavra por falar. A visão escureceu, há neblina por todo lugar. São turbilhões de pensamentos por segundo, tentando criar ordem e forma. Nessa rapidez que é viver, busco paz.

A paz que o silêncio pode dar. No cansaço de ter minha calma perder espaço ao medo. E, em contrapartida, a coragem que aumenta dia a dia para resistir. Minhas mãos estão livres do sangue. Quem sou eu na manchete do jornal, aquele que matou ou quem morreu?

A boca está seca. Na garganta tem nó. O corpo fica enrijecido o tempo todo. São tempos sombrios. O ladrão ou o torturador? Nossa esperança está sendo colocada à prova. Hoje e desde o início dos tempos.

Há uma voz, que ecoa nos meus e em mais tantos outros ouvidos. Clama pela liberdade. Pelo direito de ser. Por seguir adiante. Não nos entregaremos ao retrocesso. A perder tudo que já lutaram para nos dar hoje. Estou de mãos dadas com meus irmãos, que resistem. São eles, mulheres, negros, gays. E a cada dia, ficamos mais fortes, pois nossa corrente é pelo bem de todos, e não de classes. A empatia que emana de nós, é maior que todo o ódio. É maior que o preconceito. É maior que o fascismo.

Para não dizer que não falei das minhas dores, sobre querer viver. Desejar viver e ouvir que sou gay por falta de apanhar. Desejar igualdade e ouvir que sou mulher porque meu pai fraquejou quando me fez. Desejar que o racismo acabe e ouvir risada quando um cara fala que negros não servem nem para procriar.

Assume, vai, que é medo de perder o poder. Medo do que é diferente do que você conhece. Assim, fica mais bonito do que dizer que é para acabar com a corrupção. Porque para acabar com a corrupção, você está escolhendo um cara que quer acabar com a vida e a liberdade de muita gente. E eu quero viver.

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