RESPIRAR PARA NÃO SURTAR

Escrito originalmente para E aí, guria?

 

Já tem um tempo que você não aparece e que quando aparece não te dou atenção, logo sua desistência ganha da sua força. Estou te deixando pra lá e isso me dá um pouco de medo.Medo da força que você pode ganhar nesse meio tempo e da distância que dá pra pegar impulso. Aquela angústia de que você chegue arrebatadora, tirando-me o sossego, trazendo aquelas contrações estomacais e, pior, deixando meu coração palpitar como se fosse sair boca a fora.

Queria poder te dizer que não tens mais a mesma força e poder sob mim. Mas isso seria um tanto insolente e infantil, dado ao passo que sempre ataca um ponto diferente meu. Nunca é no mesmo lugar. Há algum tempo tatuei “breathe” no punho e a grande culpada disso tudo é você. Que quando chega acelera tudo aqui dentro, me faz agir por impulso ou, na pior das hipóteses, me imobiliza de tomar qualquer decisão.

Aceitei que não preciso ser mais forte que você, nem permitir que se faça uma gigante aqui. Nós temos a mesma força, os mesmos anseios de vencer, nós somos ótima competidoras, não é mesmo? A verdade verdadeira é que acho que gostamos uma da outra, da companhia que nós nos fazemos em nossos silêncios. Gostamos de que um dia eu ganho, no outro é você. E talvez, finalmente (por obséquio), tenhamos encontrado a paz de viver juntas e respeitando o espaço uma da outra. Sem seu desespero de sempre me atacar, sem dar-me tempo de recuperar o fôlego. E eu, sem negar-te e fingir que você não está aqui. É que também parei de me entregar a você, isso deve ter te tirado parte do encanto…

Querida ansiedade, sei que assiste TV do meu lado, que sussurra no meu ouvido “vai logo, você está atrasada”, “para de enrolar, você vai acabar se atrasando” e sempre que me rendo aos teus sussurros esqueço alguma coisa em casa. E eu não te culpo mais por me acelerar, porque eu até gosto que parte de você esteja por aqui. Se não tiver como ficar sem o que esqueci, volto sem te praguejar. As coisas melhoraram quando saí do pé de guerra contigo, é que eu sou mesmo meio sua, e você meio minha. 

Aprendi que conflitos e falta de comunicação não levam a lugar algum, por isso aprendi a conversar com você. A me importar e parar um pouco do meu tempo para te entender, te sentir e dar-te um pouco de atenção. Porque no final, vou olhar pro meu braço e lembrar de respirar até que sua pressa que me agita vá embora. Respirar até que seu tumulto se abstenha de me levar a paz. De me levar de mim.

No fim vou respirar para não surtar.

 

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