NÃO É SAUDADE, É SÓ IMPLICÂNCIA

Escrito originalmente para E aí, guria?
Para ouvir enquanto lê – Na sua estante

Ela podia jurar que ficaria bem depois de atravessar a porta, deixando para trás a despedida e sonhos que caíram por terra naquele instante. Descera o elevador com muitas dúvidas, um bocado de angústia, um amontoado de tristeza e sem esperanças com o amor, mas estava certa de que continuaria bem. 

Entrara no Uber, e como em outras poucas vezes, ficara em silêncio permanente. De sua boca saíra apenas um cumprimento que depois se tornara despedida, seguida de agradecimento. Estava cheia de barulhos que acometera ao silêncio em sua voz. Ela sabia que amava quem acabara de deixar, e que permanecera muito dela naquele apartamento – inclusive os óculos e um brinco que caiu debaixo da geladeira quando esbarrara na orelha sem querer — mas mais que objetos, o coração dela fizera morada junto àquela pessoa.

Dentro dela havia uma força bonita, que não a deixava desesperar. Se cobrira com paciência, tomara uns goles de amor próprio e escorrera no colo do amigo, quando não era possível se conter.

Mais forte, alguns meses depois, quando à memória insistia em dizer que a saudade batia em seu peito, ela repetia a si mesma “não é saudade, é implicância”.

Ela precisava acreditar.

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