Ser ou interpretar?

Você já se pegou alguma vez vivendo um personagem? Interpretando para poder fazer quem está ao seu redor feliz? Pois é, essa sempre foi a condição mais pesada, viver fechada num baú onde ninguém podia entrar. Ser leve e tranquila? Jamais! Precisava provar que era séria e brava, com isso criei várias barreiras com gente importante pra mim. Ficava presa a uma vida cinza, onde rir era besteira e não tinha permissão, nessa também não fazia piadas de coisas toscas que hoje fazem parte das vinte e quatro horas do meu dia.

Por muito tempo me permiti não viver, só passar e disso não gosto nem de lembrar. Tudo porque queria proteger todo mundo de quem sou, com isso acabava que me sentia o mesmo que nada. O próprio peixe fora d’água, diferente e fora de alguns padrões. E até entender que estava tudo bem ser diferente, pensar e fazer outras escolhas, me cobrei para guardar a Laura que é feliz, que é tranquila, que pode brincar e levar piadas na brincadeira. Aquela que deixou muitos “mimimis” para trás e que agora, na maior parte do tempo, tenta viver momentos bons e alegres. Mesmo que todo mês a tpm venha testar a paciência e a tolerância, tirando isso, tenho ido bem.

A melhor parte de me autoconhecer – sim, fiz terapia alguns anos – foi aprender a conversar e a mostrar aquilo que penso, sem que seja um ataque, sem que eu precise estar armada para me expor. Se tornou algo natural. Muitas coisas melhoraram e puderam proporcionar momentos dos quais não vou esquecer. Dentre as falhas que já cometi na vida, a maior delas foi guardar todo o amor que carrego só pra mim. Aprendi que amor não é pra ser guardado, nem trancado a sete chaves. Amor é soma, divisão. É partilha.

Escrevo desde muito nova e num período longo de confusões interiores, me afastei do “papel e caneta”, talvez por não compreender tudo que acontecia dentro de mim. Ou só para não mostrar que não estava entendendo nada. Tudo é válido, do sofrimento às alegrias. Do tombo à ascensão. Porque conforme fui amadurecendo – e com ajuda da análise – entendi o motivo de como agi todo esse tempo. E hoje, posso afirmar, que sou muito grata por cada momento, escolha e por ser quem sou, bem assim, desse jeitinho.

 

Laura Aquino

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