Paráfrases

A arte entra em nossas vidas de muitas formas, nos muda o tempo todo. Torna alguns momentos e dizeres atemporais. Tem formas que entram na minha casa e na sua também. Outras que batem na porta e não conseguem entrar, não sintonizam com aquilo que nos identificamos.

Aqui faremos paráfrases de algumas músicas e artistas que não deixam de ser tocados nunca, justamente por seus feitos que sempre são atuais. Não dá para dizer que os trechos aqui citados são os que mais falam por mim. Isso seria audacioso. Minha pretensão não é definir e sim abrir um leque que depois, com o tempo, pode mudar e crescer.

Em Samba de Benção, Vinicius de Moraes fala de alegria, beleza, saudade, tristeza e coisas decorrentes da vida. E num trecho específico encontramos “A vida é a arte do encontro / embora haja tanto desencontro pela vida”, que mostra que viver é estar sempre em movimento. Encontrando e desencontrando, seja consigo, com pessoas ou acontecimentos. Harmonicamente, Vinicius fala de cores e da falta delas, de sons e da ausência, não deixando de lado a arte que proporciona deveras experiências artísticas. Toca levemente no amor e na realidade da vida, que poetas como ele, não conseguem deixar de carregar em cada verso escrito.

Alegria, Alegria de Caetano Veloso, é uma daquelas músicas que ensinam história do Brasil, em arte e politicamente. E de um jeito breve propõem que a vida seja mais leve, sem censura e que seja uma caminho de uma estrada que não será abandonada “Caminhando contra o vento / Sem lenço, sem documento / No sol de quase dezembro / Eu vou”.

Gilberto Gil “Andar com fé eu vou / que a fé não costuma “faiá”, não importa onde, nem quando, a fé move e assegura uma relação sem fim, com o que é maior e não pode ser tocado, mas que está lá, seja qual for a crença ou a forma de exercê-la.

Legião Urbana com seu gigante letrista, Renato Russo, “Tenho andado distraído / Impaciente e indeciso / E ainda estou confuso / Só que agora é diferente / Estou tão tranquilo e tão contente” cravando bem forte em nossas lembranças que não tem crise em estar confuso, o importante é que o coração esteja em paz, tempestades também passam. E nem sempre é preciso entrar e enfrenta-las, porque o mar vai voltar a ficar calmo.

E por último e de lançamento mais atual, Ana Vilela, nos arrebatou com Trem-bala que faz uma reflexão belíssima da vida de uma forma muito sutil e inspiradora.

“Segura teu filho no colo / Sorria e abrace teus pais / Enquanto estão aqui / Que a vida é trem-bala, parceiro / E a gente é só passageiro prestes a partir”

Percorremos a vida procurando por composições que dão diretrizes para aquilo que acreditamos. E nosso dever é entender que é maravilhoso demais poder fazer parte da história de vida daqueles que admiramos.

Num tempo que não para, que insiste em acelerar, o campo musical vem abrangendo ritmos e canções, que mudam conforme o lugar em que são tocados, mas que, principalmente, se nos enchermos de respeito e aceitarmos que tem lugar para todo mundo, dá para aproveitar o funk e dançar, sem criticar este ritmo. Fica fácil colocar RAP na playlist, porque ali tem muita riqueza cultural e uma forma bonita de pensar no povo.

Observe a magia da música na vida, quando ela toca em cellos ou eletrônicos, num cantinho escuro em voz e violão ou na bateria daquela escola de samba do seu bairro. É muito simples conviver com as diferenças, não doi, não mata e não te faz ser alguém ignorante, pelo contrário traz para sua vida mais experiência e conteúdo.

Laura Aquino

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