A Águia

Descobri nos olhos de uma águia a magia de abster-se em momentos de fúria e de visões de abismo. Os abismos não são tão assustadores quando se abre e têm domínio das asas. O fundo do precipício é só o fim, do começo do céu… A fúria, depois de a presa pega, já se extermina.

Então sabiamente voa até o Pico da Neblina, na serra do Imeri, para afastar-se do que controla, do que impede, do que quer fazer com que ela não voe mais. Não há chances de fazê-la parar. Sua asa, já quase curada a faz querer abraçar o céu.

Está atenta, pois conhece a imensidão o bastante para cair em meio as suas nuvens de mentira.

Seu olhar demonstra toda sua força, sua guerrilha armada e maestria em cumprir com o que faz. Mas e por dentro dela, carrega o quê?

Donde há de surgir tanta beleza e garra, num voo certeiro, numa conquista envolvente e para quem o vê, é um momento mais que inebriante. Simples assim, ou complexo demais.

E a quem tentar descobrir o segredo da linda águia, que seja na vontade e nos limites da estonteante ave, e que no mistério do forte olhar, descubra a liberdade de voar.

 

Laura Aquino

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