Destinatário e Remetente

“O tempo vai passando e a gente vai se descobrindo. Descobrindo um no outro e nas músicas que escutamos. Parece até uma dança sincronizada de tão perfeita que é. Você é o encaixe perfeito pra mim. Minhas mãos souberam delinear com firmeza sua cintura. Seus trejeitos me enfeitiçam e me mostram por onde posso andar. Seus cabelos longos voando ao vento da leve brisa enquanto estávamos a  alguns quilômetros por hora na rodovia. Tudo aquilo se prendia a um lado de minha memória. Todas as vezes que acordo no meio da noite eu demoro voltar a dormir… Porque suas lembranças ficam presentes e saltitantes.

Sinto saudade. Não é saudade à toa! É saudade de encontrar sua voz, percebendo seu olhar. Sinto a falta de converter nossos pensamentos e diálogos em boa risada.

Confesso que só sei te querer. Hoje mais que ontem.”

Com essa última frase terminou a carta, ele se conhecia bem. Seu jeito à moda antiga o satisfazia. O prêmio maior seria ver o sorriso de sua destinatária quando abrisse o envelope, ele não estaria lá de corpo presente, mas como quem gosta, sentiria o sorriso dela em seu rosto quando a surpresa chegasse.

Tantas coisas ficam subentendidas na vida da gente.

Às vezes, um gosto de destinatário e remetente.

Por: Laura Aquino

 

Foto: We Heart It

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