A órbita

Sentado nas escadas da escola, João pensava nas coisas que vinham acontecendo em sua vida. Nas coisas que julgou necessárias em cada instante. Nas pessoas que simplesmente passaram, nas pessoas que se eternizaram, naqueles que o fazem pensar em coisas diferentes, naqueles que o colocam para cima, naqueles que o deixam com saudade, naqueles que são só pra mesa de um bar.

Pensava nos mestres e na experiência que transpassam, na maneira como instigam o lado curioso, mas em dados momentos a vontade de não estar presente naquele lugar é bem forte. Mas, tem coisas que simplesmente não dá pra ser depois.

Ele pensava em como poderia agir ou reagir a certos sentimentos. Mas tinha plena consciência de que nada acaba de um dia para o outro, as coisas não somem e os sentimentos não acabam. É tempo de respiração, de aprender a voar para se preparar para a chegada de algo melhor ou de algo que seja importante no agora.

A liberdade de aprender a voar com os tombos que estão por vir, com os galhos que podem machucar…

Teletransportou-se para sala de aula, e sem míseros sinais de que adiantaria alguma coisa ficar na aula, permaneceu intacto, sem ser tocado, sem ser notado. Ou ao menos era o que ele imaginava.

Porque no fundo da sala, havia alguém que o observava incessantemente. Guardando cada pequeno gesto.

Tão cego envolvido a sua órbita egoísta, não notava ninguém, a não ser a ponta do seu nariz, onde havia um mosquito danado a lhe perturbar.

Por: Laura Aquino

 

Foto: We Heart It

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